28 de outubro de 2010

Trocando pizza por ciabatta



A mamãe também está se acostumando com a minha rotina escolar. Hoje de manhã, mesmo com a toda a correria de sempre, ela se lembrou de me comprar a pizzetta* que outro dia pedi como merenda às "professoras" ao contrário dos insonsos biscoitinhos que a mamãe tem colocado na minha sacolinha.

A mamãe lembrou-se da pizza, mas em compsensação se esqueceu de me trocar a ciabatta*. Cheguei à escola vestindo casaquinho, chapéu e cachecol, como requer a temperatura matutina, e ... chinelinhos! Ela só reparou que tinha esquecido de me colocar os sapatinhos quando chegamos lá. Pelo menos eram chinelinhos fechados...

* mini pizza, geralmente feita com massa folhada e molho de tomate, e que a criançada adora.
* além do conhecido tipo de pão, ciabatta significa também chinelos, sapatos de estar em casa
.

25 de outubro de 2010

"Filhinha, quero colo!"


Este período de adaptação à escola - e consequente separação da mamãe - não tem passado desapercebido. De fato, estou um bocadinho mais agarrada a ela. Passo o tempo todo pedindo a atenção dela, em casa só quero comer o que a mamãe me dá e durante as sessões de fono temo que ela desapareça.

Além disso, acordo com maior frequência durante a noite pedindo carinho e soninho nos braços dela. A cena noturna tem se repetido tantas vezes que, por preguiça (ou indulgência?) ou ignorância na arte de educar filhos, a mamãe acaba me levando pra cama com ela.

Pra melhorar a situação, aproveitando que o papai está novamente do outro lado do mundo a trabalho, durmo cada vez mais tempo na cama deles. Esta noite, por exemplo, não dei nem o ar das graças ao meu bercinho. Adormeci e acordei com a mamãe!

Desse jeito vai se difícil ela se acostumar a dormir sem mim, sem o calor do meu corpinho, sem minhas perninhas presas entre as suas, sem esmagar as minhas delicadas mãozinhas, sem beijar o meu rostinho macio, sem ouvir o meu respiro afanado como o seu e sem acordar com meus pezinhos no seu pescoço.

Para não se sentir em culpa por atrasar um pouquinho a minha autonomia, a mamãe se desculpa dizendo que teve que esperar "uma eternidade pra poder me segurar no colo" e acaba se aproveitando... Mas enfim, atire a primeira pedra a mamãe que não quer o colinho dos próprios filhos!

12 de outubro de 2010

Um dia como outro qualquer


Como eu ja havia dito aqui antes, na Itália o dia das crianças não é 12 de outubro. Aliás, não há um "Dia das Crianças". Vai ver é porque, imagino eu, todos os dias do ano são para serem festejados com a criançada (ou pelo menos deveriam ser)...

Bem, como aqui hoje é um dia como os outros, é dia de ir pra escola também. E por falar nisso, já são quase três semanas que frequento o novo "ninho" ("nido", como as creches são chamadas por aqui) e, felizmente, a escola está se adaptando bem a mim.

As minhas professoras já sabem como lidar com meus fantásticos aparelhinhos de ouvido quando eles esbarram em algo e acabam caindo, assim como na hora de trocar a minha roupinha, na hora de rolar pelo chão e na hora de dormir (ou simplesmente brincar de dormir). Isso sem falar das vezes em que algum coleguinha mais curioso os arranca pra poder vê-los bem de pertinho ou das vezes em que fico brava e eu mesma os arranco, desmonto, jogo no chão ou os arremesso contra uma delas.

Mas felizmente estes momentos (geralmente reservados ao aparelho do lado esquerdo, com o qual nao ouço tao bem) são cada vez menos frequentes. A cada dia que passa começo a ouvir melhor com o implante novo e penso duas vezes antes de atirá-lo pra longe...

Enfim, estamos todos nos adaptando muito bem.

3 de outubro de 2010

Primeira lição: propriedade privada

O processo de adaptação à escola tem sido muito gradual (segundo a mamãe até demais!). Ainda não faço o horário integral e, até hoje, só me "apresentaram o ritual do almoço" duas vezes. Deve ser por isso que eu gosto tanto de ir pra escola (além, é claro, do escorregador, da terra do jardim e dos meus coleguinhas, nesta ordem).

Enfim, nestas quase duas semanas de aula a primeira lição que aprendi foi o verdadeiro significado da palavra "mio". Agora aqui em casa (e não só) é tudo "mio", dos brinquedos, à cadeira da cozinha, ao travesseiro da mamãe, até as chaves do carro. "Mio, mio mio"!

27 de setembro de 2010

Criança não trabalha


Desculpem a falta de notícias, mas na
semana passada a mamãe despediu a faxineira


e estou tendo que trabalhar muito.


Ah ah ah! Brincadeirinha, eu não trabalho não.


Eu dou é um trabalhão!

19 de setembro de 2010

Escola nova


Se a minha antiga escola já era bonita, esta então, parece um parque!














Após o primeiro encontro com a diretora, a mamãe ficou muito satisfeita com a escolha (a escola é particular, mas convencionada com a prefeitura e as famílias pagam uma pequena mensalidade com base na renda familiar), mesmo tendo ouvido dela que "os pais que escolhem este jardim de infância por causa da enorme área verde já começam errando, pois a escola deve oferecer muito, muito mais às crianças pequenas".

Depois de uma segunda reunião - com a diretora, a orientadora e uma professora-, a mamãe começou a achar a escola de tipo Montessori um "cadinho" rígida. Além de ficar sabendo que o médoto montessori "não é apenas um método de ensino, mas sim O Método", ela também soube que os horários de entrada e saída devem ser rigorosamente respeitados, pois é imprescindível que todos os dias um dos professores receba e se despeça das crianças de forma cordial, calorosa e, principalmente, individual. A mamãe ficou tão impressionada com esta lição que até tentou, sem sucesso, mudar os horários das minhas sessões de fonoaudiologia.

Na terceira reunião, onde estavam presentes todas as mamães e papais e que durou mais de duas horas, além de ficar segurando o papai pelo braço pra ele não ir embora antes que o encontro terminasse, a mamãe aprendeu muito mais coisas, entre elas, como não me levar pra escola:

- Nada de chegar em cima da hora, carregando a criança no colo e equilibrando nas mãos bolsa, chaves do carro, celular, mochila, ursinho de pelúcia, etc, e entregá-la à professora com pressa. Afinal, não sou um pacote, mas um indivíduo!

- Para reforçar a auto-estima, a criança que sabe andar deve chegar à escola caminhando, com calma e confiante. A mamãe ou o papai devem esperar todo o tempo necessário (incluindo eventuais pausas para recolher pedrinhas pelo chão ou mudanças de idéia na metade do caminho que possam exigir, vez ou outra, volta e meia vou ver).

- Nada de puxar o indivíduo (sim, euzinha!) pelo braço para acelerar o passo ("afinal, quem gosta de ser arrastado?"). A mamãe ou o papai podem, no máximo, oferecer um dedo - e não a mão inteira! - para que a criança possa se apoiar, "se" e "quando" quiser e julgar oportuno.

- Para evitar que os pais falem em nome dos filhos como se eles não estivessem presentes e impedir interferências durante a recepção personalizada da criança, nada de avisos, recados ou recomendações às professoras no portão da escola. Todas as comunicações devem ser feitas por escrito, em um bilhetinho com a data e nome completo da criança, colocado no material escolar. Os papais que quiserem falam com os professores devem dirigir-se à secretaria na ausência dos filhos.

As aulas, ou melhor, o período de adaptação começa na próxima semana, e deve durar pelo menos duas semanas. Não quero falar em nome da mamãe, mas acho que ela está um tantinho ansiosa com o nosso primeiro dia de aula.

12 de setembro de 2010

O importante é saber levantar. E escapar!


A mamãe acha que eu caio muito. Com sapatos ou descalça, com botinhas ou sandálias, com meias anti-derrapantes ou na grama, a verdade é que vivo dando capotadas por aí. A mamãe já comentou isso com diversos médicos, que a tranquilam sempre dizendo pra ela não se preocupar, porque apesar de estar um pouco atrasadinha no crescimento, não tenho problemas de coordenação motora ou ortopédico.



Um dos fatores a contribuir para tantos tombos é a provável falta de equilíbrio por ouvir só de um lado, mas esta é somente uma hipótese (e que em breve saberemos se é real ou não). O certo é que sou muito espevitada e corajosa e que os tombos não me entimidam nem um pouquinho.

Enfim, o importante é saber levantar.


E escapar dos eventuais excessos de proteção!