24 de janeiro de 2010

Aspirador de pó


Então a gente vai crescendo, adquirindo novos conhecimentos, criando novas percepções do ambiente que nos circunda, inventando a nossa própria rotina e dominando este vasto mundo de Deus quando, de repente, um desconhecido qualquer entra na nossa vida e coloca toda a nossa segurança - e aquele tiquinho de prepotência - em xeque, ameaçando romper a nossa confortável serenidade.

Algo inesperado, que te deixa encafufada, sem saber com qual intenção invade o seu território: será que ele quer só brincar comigo, será que ele só sabe fazer este barulho irritante ou, o que é pior, quer engolir a minha mamãezinha?

Diante a um tal desconhecido a minha reação foi afastar-me o mais possível fazendo "no-no-no" com o dedinho levantado, numa tentativa desesperada de nos proteger daquela terrível ameaça, com os olhinhos espantados e o beicinho trêmulo (nas palavras da mamãe "o biquinho mais lindo e comovente do mundo!").

Vai ver eu só o tinha visto antes com a faxineira, vai ver eu ainda não conseguia ouvi-lo direitinho, vai ver estou crescidinha... o fato é que, pela primeira vez na vida, ao menos aparentemente, senti medo!

19 de janeiro de 2010

Tim-tim por tim-tim


Nos últimos dias estivemos novamente em Ferrara para fazermos o primeiro ajuste de frequência do meu implante coclear (o termo técnico é "mapeamento"). Os médicos ficaram muito satisfeitos ao analisarem a minha reação aos diversos sons e ao me verem tão habituada ao aparelhinho. Enfim, estão todos muito contentes com o meu progresso geral!




Pudera. Fiz questão de mostrar pra todos eles, tim-tim-por-tim-tim, o quanto sou serelepe!



Ainda assim, a mamãe que não me ouça!, mas os médicos já falam na hipótese de um segundo implante coclear para o outro ouvidinho, por uma série de razões que pretendo explicar aqui um outro dia...

Por enquanto vamos deixar a mamãe curtir comigo toda esta alegria!

10 de janeiro de 2010

Aconchego


Mesmo sem neve, o frio intenso continua aqui em Roma. Tenho passado bastante tempo em casa, evitando sair muito pra não pegar gripes e resfriados.

O bom do inverno é ficar no aconchego do lar onde canto musiquinhas,



preparo comidinhas gostosas



e abraço muito a minha pequena!



Êita friozinho bom!

4 de janeiro de 2010

Ano Novo de branco


...mas apesar do meu receptivo sorriso, o Ano Novo, o espumante e a neve chegaram enquanto eu dormia.

No dia seguinte estava tudo tão branquinho,



que o papai disse à mamãe pra ela não ficar triste, "pois a neve iria compensar o fato de não estarmos todos vestidos de branco no Reveillon", como acontence no Brasil.



Depois da neve nada de brincar na grama,



nem de almoçar ao ar livre.



Até a minha atividade de porteira foi suspensa.



Em compensação, logo que acordei encontrei à minha espera um fantástico boneco de neve que o papai fez pra mim,



me desejando um Feliz Ano Novo e me lembrando que, mesmo à distância, os amigos estão sempre de braços abertos pra nós.



Um Feliz 2010 pra todos vocês!

Esperando pelo Ano Novo...


Ainda não tinha tido tempo de passar por aqui e desejar a todos um Feliz Ano Novo porque acabamos emendando as férias de Natal em Sorrento com alguns dias na casa da nonna Lucia e do nonno Nicola, em Caserta, antes de irmos pra uma casinha lá em cima da montanha de Lagonegro, uma cidadezinha da região de Basilicata, onde fomos passar o Reveillon com um grupo de amigos. E lá fui eu me preparar com a ajuda de algumas titias...

Afinal, que bosque seria sem uma chapeuzinho vermelho?



E apesar da turma ser formada por mais adultos que crianças (12 contra 2), não faltou festa, música ao vivo e muita bagunça! A mamãe, porém, insistia em me manter longe da viola e da sanfona, sempre com a mesma história de "hora da papa". Ufa!




E assim como abrir e fechar portas é comigo mesma, com muita determinação consegui conquistar a função de porteira. Fiz questão de dar as boas-vindas pra todo o pessoal. Várias vezes por dia! O único probleminha é que às vezes eu me confundia e puxava pra dentro quem queria sair ou empurrava pra fora quem queria entrar. Mas tudo, é claro, com a maior simpatia...



Nas horas vagas da portaria, fui conferir as redondezas,



conhecer o teleférico da pista de esqui (antes que começasse a nevar),



testar o equilíbrio (e a paciência) do papai,



passear pelo lago,



e esperar pelo Ano Novo com um grande sorriso...