O resfriado não passou e ainda por cima estou com tosse! A mamãe ontem me levou à pediatra, que logo telefonou aos médicos dos Bambino Gesù para decidir junto com eles o meu tratamento. Felizmente (meus dedinhos cruzados deram certo), nada de injeções! Além de fazer inalações com medicamentos (aqui em casa mesmo) estou tomando um remédio a base de cortisona. Assim como o papai (com a sua adoração por canja de “gallina ruspante”), a mamãe também preferiria um tratamento mais natureba, mas como vocês sabem, eles não são médicos...

Isso tudo quer dizer que vou ficar em casa mais uns diazinhos, com a mamãe tentando arrancar das minhas mãozinhas a deliciosa mascarinha da inalação e me contando - outras centenas de vezes - a estória dos três porquinhos. Não me entendam mal, gosto muito desta estorinha e fico sempre com muita pena dos três simpáticos gorduchos, mas e o lobo?, coitado! Ter que resistir a tanta gostosura não deve ser fácil...

(que a mamãe não me ouça, mas é duro esperar até o final da estória pra poder dar umas mordidinhas em todos eles...)
É vestida assim que saio com a mamãe todos os dias - não para irmos à Lua, embora pareça-, mas sim à fisioterapia ou à fonoaudiologia e até mesmo em nossos passeios de fim-de-semana. Mas apesar de todo o cuidado da mamãe em manter-me quentinha durante estes dias de inverno, não escapei de ter um resfriado...
Ela disse que tomei muita friagem no dia em que fomos ao hospital para refazer meus exames. É que tive que tirar a roupinha em cada uma das quatro consultas médicas e passar por vários ambientes com e sem aquecedor.
Mas felizmente é apenas um resfriado. E como ainda não posso tomar canja de "gallina ruspante" (para a tristeza do papai cozinheiro), o meu tratamento consiste em pingar algumas gotinhas de remédio no meu narizinho, além de ficar a semana inteira em casa, onde - com a ajuda dos aquecedores e do umidificador de ar - (e para alegria da mamãe) o clima é sempre tropical!
Esta semana recebi pelo correio um pacotinho vindo lá do Brasil com vários mimos das titias Renata e Juliana e que aos poucos vou mostrando aqui no blog.

Como vocês podem ver, já mudei o penteado pra usar o primeiro deles...
Obrigada titias, agora sim consigo domar a minha franja!
Mais uma etapa superada. Ontem foi mais um dia de exames no hospital Bambino Gesù (com exceção da parte audiológica) que, felizmente, confirmaram a minha ótima forma - especialmente as consultas com a neurologista e com o oculista.
Na parte neurológica, o nível de alerta (que diz respeito a todos os bêbes extremamente prematuros) está baixando progressivamente, pois estou tendo um bom desenvolvimento neuro-psicomotorio. A dra. Perrota disse que evoluí muito desde a última consulta, que a minha postura e meus movimentos são muito mais estáveis e harmonisos e, tendo em vista que as últimas ecografias cerebrais tiveram ótimos resultados (não há mais sinais da pequena hemorragia que tive nos primeiros dias de vida), não é preciso anteciparmos a ressonância magnética prevista para o primeiro ano de vida.
Ela disse também que a mamãe e o papai não devem mais se preocupar em me manter em posição recolhida quando estou no colo ou no bercinho, que já posso ficar afastada de qualquer tipo de apoio para ter mais liberdade de movimentos. Segundo a dr. Perrota, não devo mais ser tratada como um bebezinho, mas sim como uma “ragazzina” (iurrá! daqui a pouco ninguém me segura mais!).
Os meus olhinhos também já estão prontos para descobrirem o mundo. O dr. Catena disse que tive muita sorte em não ter desenvolvido uma miopia, como acontece - inclusive com grau muito elevado - com a maioria dos bebês que passam pela cirurgia contra a retinopatia. Ainda não estou livre de um eventual estrabismo, mas isso não é considerado um problema pelo super dr. Catena. Nem tampouco o meu astigmatismo (sim, já é possível saber que a minha visão está um pouco fora de foco!) que, segundo a mamãe, irá personalizar o meu jeito de ver a vida. O detalhe é tão pouco importante que a próxima consulta com o oculista é daqui a seis meses.
Enfim, tudo indica que as únicas molduras que meus olhinhos terão serão as minhas abundantes, charmosas e invejáveis pestanas a prova de piscadelas (afinal, já sou uma “ragazzina”!).
Se você também gostou das novidades, me mande uma piscadinha! ;o)
Mamma è tanto felice perché finalmente sono andata a conoscere i suoi colleghi di lavoro. Lei era molto contenta di poter portarmi – questa volta in braccio – nel posto dove io ero già stata alcune volte, in differenti modi: prima soltanto come un sogno persistente, dopo come un meraviglioso segreto da essere preservato, sucessivamente come una orgogliosa pancia da essere esibita, più tardi come lacrime da essere nascoste per il terrore costante di una perdita troppo probabile e, infine, come la sua gioia più grande.
E quindi tornare insieme a me nello stesso posto dove ha sentito la prima contrazione del mio parto estremamente prematuro, e dove tante volte quando ero in ospedale ha pianto nascosta tentando di mantenere la sua mente occupata, è stato un momento speciale per mamma.
Lei ha colto l'occasione per spiegarmi che alcune persone vivono per il lavoro, ma che in realtà il lavoro serve soltanto per aiutarci a vivere meglio e, con un pizzico di fortuna, conoscere nuovi amici. Lei mi detto anche che, quando lavorano, le persone quasi sempre passano tanto tempo insieme che non si accorgono di quanto vicine (e care) siano tra di loro. E che “alle volte c’è bisogno di stare lontano per scoprire la vicinanza delle persone”…
Ma la gente grande complica tutto. Quello che so è che i colleghi di mamma sono tutti gentili e simpatici e, al contrario di mamma, sempre musona, se io lavorassi li sorriderei sempre. È ancora un pò presto per parlare dell’argomento, ma credo che anche a loro piacerebbe avere una compagna di scrivania sorridente come me… :o)))
Um (outro) momento especial para a mamãe
A mamãe está muito feliz porque finalmente fui conhecer os seus colegas de trabalho. Ela estava muito contente por poder me levar - desta vez nos braços! – no lugar onde eu já estivera presente por diversas vezes, em diferentes modos: primeiro somente como um sonho persistente, depois como um maravilhoso segredo a ser preservado, sucessivamente como uma orgulhosa barriga a ser exibida, mais tarde como lágrimas a serem disfarçadas pelo terror constante de uma perda provável demais e, enfim, como a maior alegria da mamãe.
É por isso que voltar comigo ao exato lugar onde ela sentiu a primeira contração do meu parto extremamente prematuro e onde por tantas vezes chorou escondida tentando manter a mente ocupada nos dias em que estive no hospital, foi um momento especial para a mamãe.
Ela aproveitou para me explicar que algumas pessoas vivem para o trabalho, mas que na verdade ele serve apenas para nos ajudar a viver melhor e, com um pouco de sorte, a fazer novos amigos.
Ela disse também que, quando trabalham, as pessoas quase sempre passam tanto tempo ao lado uma das outras que nem percebem o quanto próximas (e queridas) são entre elas. E que “às vezes é preciso estar um pouco afastado para perceber a proximadade das pessoas”...
Mas gente grande complica tudo. O que eu sei é que os colegas da mamãe são todos gentis e simpáticos e, ao contrário da mamãe, que fica quase sempre de cara fechada quando está por lá, se eu trabalhasse ali seria só sorrisos. Ainda é um pouco cedo para tocar no assunto, mas acho que eles também gostariam de ter uma companheira de escrivaninha sorridente como eu... :o)))
Se eu fosse uma Simpson, seria assim:
Se você também já é animado mas ainda não é desenho clique aqui.
Eu já falei sobre o meu batizado aqui, mas faltava uma foto.

Já não falta mais. :o)
Ontem foi dia de tomar a quarta dose da vacina Synagis, aquela que protege os bebês prematuros contra a bronqueolite. O hospital “Nuovo Regina Margherita”, o único de Roma a oferecer este medicamento moderno, fruto da engenharia genética, fica no bairro de Trastevere, no centro da cidade.

Como vocês podem perceber, a construção é muito antiga: o hospital está instalado numa área que engloba uma igreja e um monastério construídos no século X e transformado em asilo para idosos no ano de 1.233. Todo o complexo passou por uma reestruturação em 1.475 (e segundo a mamãe deve ter sido a última) e somente em 1.870 tornou-se hospital. Hoje, o centro hospitalar está sendo desmantelado para outras estruturas...

Tudo isso para dizer que a vacina leva horas para ser diluída antes de ser injetada e, durante a espera, eu e a mamãe aproveitamos para dar umas voltinhas pelos jardins e conhecer os bichanos da redondeza.

Se vocês acharam essa história uma chatice, imaginem eu que ainda vou ter que tomar mais duas destas injeções! Desculpem o trocadilho, mas tomar vacina é dose!
Vocês podem até achar que eu sou pequenininha, mas o meu dia-a-dia é tão corrido quanto o de gente grande. E apesar de ainda não ter seis anos de idade e poder ficar longe da escola (urgh!) e do trabalho (iurra!), durante a semana tenho muitos compromissos. Ao todo, entre fisioterapia e fonoaudiologia, são seis sessões semanais fixas. Isto sem contar consultas médicas e encontros sociais.
No meio tempo, brinco com a mamãe e com o papai, tomo minhas mamadeiras e sopinhas, ponho na boca tudo o que encontro pela frente, inclusive minhas duas mãozinhas (e simultaneamente!), me divirto com meus lindos pezinhos e uso os meus aparelhinhos de ouvido. O tempo que sobra uso para coisas menos interessantes como tomar banho, trocar de roupa, descansar e dormir.
A mamãe me acompanha sempre e, diariamente, prepara a minha bolsa com meus brinquedos, roupas, fraldas, mamadeiras, cremes e tudo mais que um bebezinho bem equipado como eu pode precisar estando fora de casa, ainda que por poucas horas - inclusive de amigos fiéis como Luigi e Gennaro. No meio disso tudo, ela me ajuda a atualizar o blog, a manter-me em contato com os amigos e a organizar o nosso fim-de-semana.
A mamãe já aprendeu comigo e agora faz as coisas menos importantes no tempo que sobra (e se sobra), ou seja: mandar e-mails com uma mão só (geralmente cancelando compromissos e passando trabalho para colegas), responder aos telefones de casa e celular, passar a lista de compras para o papai e organizar a bagunça de casa. Ufa!, ainda bem que eu existo para livrar a mamãe do tempo que sobra. Aliás, estou me esforçando para que sobre cada vez menos! :o)
Como eu previa, o Ano Novo começou agitado, cheio de festa e com muita novidade. Assim como vocês, eu também comi bastante e acabei ganhando umas dobrinhas a mais. Finalmente a mamãe e o papai descobriram que não sou boba e para que eu tome toda a minha sopinha de verduras é preciso colocar muita carninha homogeinizada dentro!
A outra novidade é que conheci o mar. Apesar da temperatura de gelo, o papai aproveitou o domingo de sol sem vento para me apresentar à sua terceira paixâo (sim, as primeiras somos eu e a mamãe!). Como eu disse, fazia um frio tremendo mas fizemos um longo passeio à beira mar... Ainda não tenho certerza, mas acho que, assim como a mamãe, vou preferir ir à praia quando fizer muito calor...
Mas a principal festa foi o mei batizado na Basílica Sant’Andrea delle Fratte, uma igreja muito antiga no centro de Roma, a única do mundo a ter recebido uma a Aparição na Nossa Senhora. Os meus padrinhos são os tios Milena e Pierre. Na verdade eu já tinha sido oficialmente batizada pelo Padre Mario, poucos dias depois do meu nascimento, na UTI do hospital Bambino Gesù. Na ocasião, o padre usou algumas gotinhas de água destilada e as enfermeiras me fizeram um vestidinho branco usando gaze estéril. Para completar a cerimônia faltavam ainda os rituais do óleo, da vela batismal e a presença dos padrinhos (além de um vestidinho de verdade, é claro!). A outra parte da cerimônia foi a minha Consagração à Nossa Senhora, com a qual a mamãe e o papai entregam o meu amparo à Virgem Maria, para que ela continue a me proteger, como tem feito desde o dia em que eu nasci.
Bem, por hoje é só, até porque o ano está apenas começando... Agora devo ajudar o papai a destruir, ooops, a desmontar a árvore de Natal. ;o)