29 de junho de 2008
Mangia che ti fa bene
Para a satisfação de todos, os médicos (e o papai*) continuam aumentando, diariamente, a quantidade de leitinho que eu tenho que tomar. Ontem passamos de de 33ml para 35 ml, em cada uma das minhas oito refeições diárias. Um progresso e tanto!
Além disso, minha alegria foi triplicada: em vez de tomar o leitinho com mamadeira apenas uma vez por dia, agora são três vezes! Nas outras cinco refeições, continuo usando a sondinha que chega até minha barriguinha pra eu não me cansar demais. Meu apetite é sempre maior que minhas forças...
*O papai também adora esta história de mamadeira. E faz questão de dar ele mesmo. É que assim ele aproveita pra me dar sempre um pouquinho a mais...E como não sou boba, tomo tudo rapidinho e fico bem quietinha. Deve ser por isso que já peso 1.545 gr!
28 de junho de 2008
Com que roupa eu vou?
Ontem ganhei a minha primeira roupinha. O papai decidiu ir até a loja para bebês que vende modelitos miniaturas. Aqui no hospital eles me colocam sempre uma camisetinha branca que vai até meus pezinhos. É que nós, bebês pequeninos, preferimos estar sempre cobertos para nos sentirmos protegidos.
Até mesmo nossos lençoizinhos são ajeitados em forma de ninho (bem que o papai sabia: “Nossa filha é um lindo passarinho que caiu do ninho!”, contou à mamãe, assim que ele me viu pela primeira vez).
Bem, a minha primeira vestimenta 'à paisana' é algo muito especial, que além de bonita, precisa ser lavada e esterelizada em um certo modo. Depois de todo esse processo a roupinha que eles me trouxeram era tão pequena, mas tão pequena que eles chegaram a pensar que não fosse servir... E em vez disso, e apesar dos meus 1.515 gr, ainda ficou grande!
A mamãe bem que tinha dito ao papai que não queria me comprar nada até que eu saísse do hospital. Ela me explicou que tenho que ir com ela, que é pra eu poder escolher tudinho.
Então até lá, por favor, não me convidem pra nenhum samba!
25 de junho de 2008
Ping-pong
Hoje faz três meses que o mundo ficou mais bonito, perfumado e divertido :o)
Por isso, é dia para registrar:
Nome: Alessia Ascione.
Idade: três meses.
Signo: áries.
Peso: 1.445 gr.
Altura: uns 42 centímetros.
Prato (?) predileto: leite de mamães doadoras.
Hobbie: chupar chupeta segurando o dedo da mamãe ou do papai.
Estilo musical: canções de ninar.
Animal que mais gosta: canguru.
Lugar preferido: o colo da mamãe.
24 de junho de 2008
Novo amor
A preguiça passou e estou com a corda toda de novo. Deve ser porque já peso 1.390 gr... Ontem os médicos fizeram todos os exames e confirmaram que estou em ótima forma! Eu e a mamãe podemos fazer nossas sessões de canguru tranquilamente.
Nestes dias o papai tem estado o tempo todo comigo. A mamãe chega só no finalzinho da tarde, mas na próxima semana ela também vai estar de férias. Até lá, o papai está encarregado de passar todas as informações por telefone: “Amore, tá lindona!”, é tudo o que ele diz (em seu melhor português, pero!). Segundo a mamãe, é a primeira vez que ela reclama que ele fala pouco...
Ps. Não me entendam mal: continuo adorando a minha chupeta. Mas agora que conheci a mamadeira...
22 de junho de 2008
Preguiça boa
Sabe aqueles dias em que não temos vontade de fazer nada, nem de sair de casa? Pois é, ontem não pus nem o nariz pra fora da incubadora! Estava me sentindo um pouco cansada e resolvi ficar quietinha no meu canto. Estava com preguiça até de respirar! Os enfermeiros me deram um pouquinho de oxigênio e pude relaxar tranquila.
A mamãe ficou logo preocupada, pois além de não ter dado a mínima bola pra minha chupeta, também emagreci um pouquinho...
Os médicos (além de aumentarem para 30 ml a dose de leitinho) disseram que estou bem, que é preciso ter paciência, pois o meu problema respiratório vai diminuir com o passar do tempo. E foi mesmo: no final do dia eu já estava bem melhor! Acho até que engordei... ;o)
19 de junho de 2008
Filha de peixe...
A vida (da mamãe) anda tão corrida nestes últimos dias que quase não nos sobra tempo para passarmos por aqui. Eu sei, bastaria dizer “ok”, mas é que gosto de explicar tudinho. Bem, aquela infecção já faz parte do meu passado. Agora tenho que crescer!
Ontem o dr. Salvatore aumentou ainda mais a quantidade de leitinho (de 24 para 25 ml) e diminuiu o tempo em que eu tenho que “tomá-lo” com a sondinha (de duas horas para uma hora). Isto tudo oito vezes por dia (e sem contar o leitinho que a mamãe e o papai me dão com a chupeta!). Pode parecer pouco, mas para os meus 1.305 gr é um banquete e tanto!
Os médicos ficam satisfeitos, pois muitas vezes os bebês miudinhos têm problemas para se alimentarem. Mas como eu disse, até hoje (toc! toc! toc!), traço tudo o que me dão! O papai diz que puxei a mamãe... ;0)
17 de junho de 2008
Notícia boa nunca é demais
Como vocês já imaginavam, sarei da infecção e terminei de tomar os antibióticos. Ontem os médicos decidiram tirar também o remedinho que me ajudava a respirar. Se eu me cansar muito, volto a tomá-lo por mais alguns dias. Por enquanto, o dr. Valentini aumentou as doses de cafeína, que é pra eu não dormir no ponto (e acabar esquecendo de respirar)...Tudo isso é muito bom, pois não preciso de oxigênio extra (o do ar já me basta!) e a mamãe pode me pegar no colo :o)
Além disso, a quantidade de sondinhas (por onde são aplicados os remedinhos e que devem ser trocadas praticamente todos os dias), também diminuem. Ou seja, menos risco de infecção!
E como notícia boa nunca é demais, aí vai: hoje peso 1.295 gr!
15 de junho de 2008
Cegonhas e cangurus
Que foi a cegonha quem me trouxe, todo mundo sabe. Que ela chegou muito antes da hora marcada, também. O que vocês ainda não sabem é que a mamãe pode ser uma canguru! Pelo menos é assim que todos a chamam por aqui quando ela me pega no colo, me coloca dentro da roupa e eu fico horas grudadinha ao corpo dela. E se o ditado estiver correto, "filha de canguru..."
Saltitante ou não, a vida de canguru é muito boa. Os médicos dizem que é muito bom para os bebês miniaturas ficarem agarradinhos com a própria mamãe. Assim a mamãe me passa calor, ritmo de respiração e anticorpos. E amor, claro! Tudo isso me fará crescer bem mais do que meus atuais 1.235 gr!
Por isso, não se espantem se daqui uns dias eu estiver dando uns pulinhos por aí...
13 de junho de 2008
Povero babbo
Ontem quase quase tivemos que usar a máscara de oxigênio de novo. Mas desta vez foi o “babbo” que ficou sem respirar. Deve ter sido a ansiedade por ter me segurado no colo pela primeira vez! Ainda bem que ele estava sentado (não, não engordei tanto assim – embora já pese 1.175 gr) e que as enfermeiras estavam por perto. O papai fica muito preocupado em controlar os sensores que medem a minha respiração . Achei melhor ficar bem quietinha pra ele não perceber o quanto meu coraçãozinho batia por ele...
A mamãe ficou feliz, mesmo sabendo que depois de me pegar no colo o papai não dormiria a noite toda pensando em mim.
Povero babbo, ele bem que precisava do meu ombro amigo... É que ele ficou muito triste em saber que, por ter permanecido na mesma posição por muitos dias, formou-se uma ferida na parte de trás da minha cabecinha. Até o papai que não se impressiona com as injeções que me dão, deu razão à mamãe: eu não precisava de mais essa! Mas não é nada sério e já estou medicada.
Da minha parte (que sou pequenina mas não sou boba), vejo sempre o lado bom: oba! vão me pegar no colo muito mais vezes!!! :o)
12 de junho de 2008
Não titias, aqui não é Dia dos Namorados
O papai disse que estou “lindona” de novo e a mamãe que estou o “amorzinho” de sempre. Para os médicos, já sarei quase complemente da infecção, mas vou continuar a tomar antibióticos pelo menos até sábado. A minha “pcr” (valor de contaminação no sangue que geralmente deve estar a 0,5) e que no sábado deixou todos preocupados porque estava a 21 (!), nos últimos dias baixou para 9 e ontem chegou a 1,8. Quer dizer o seguinte: venci mais uma batalha!
O dr. Salvatore disse que casos assim acontecem “só uma vez em cada mil” e que tivemos “muita sorte”, pois existem bactérias contra as quais não há antibióticos. Mas que “se Deus quiser” vai dar tudo certo. A mamãe (que já não gostava muito deste médico) acha que ele devia ter economizado tais comentários, já que não há como eliminar o risco de novas infecções enquanto eu estiver por aqui.
Da minha parte, estou linda e contente. Já voltei a tomar quase a mesma quantidade de leitinho que me davam antes e estou crescendo: agora peso 1.120 gr!
Ps. Embora seja 12 de junho (e eu já tenha meus pretendentes), não é dia dos namorados na Itália. Falo deles num próximo post, ok titias? ;o)
10 de junho de 2008
Tamanho não é documento. Nem paciência!
Peguei mesmo uma danada de uma infecção hospitalar. A terceira. E última, espero! Os antibióticos estão fazendo efeito e já estou melhorando. O dr.Valentini disse que provavelmente irá suspender ainda hoje o remédio contra contaminação por fungos. Ufa, um a menos. Porque paciência tem limite. Ainda mais a minha, que sou tão pequenina (se paciência for proporcional ao tamanho vocês podem ir imaginado como estou...).
Pra compensar, ontem a mamãe passou horas sentada ao lado da minha incubadora, me ajudando a segurar a chupeta (muitas vezes, sem querer, deixo-a cair e fico um pouquinho brava...). Eu simplesmente adoro estes momentos: além de ter a minha chupeta sempre por perto, não desgrudo do dedo da mamãe!
A mamãe sabe que minhas opções de distração por aqui são muito poucas. Por isso, antes de ir embora, pede sempre aos enfermeiros que dêem uma espiadinha de vez em quando para ver se perdi minha chupetinha, mas acho eles não tem muito tempo (ou paciência?) pra isso :o(
8 de junho de 2008
Mais mãozinhas
Como eu havia dito, estou no setor “immaturi” novamente. Mas hoje, infelizmente, as notícias não são boas, pois estou com uma infecção. De novo! Os médicos estão preocupados porque o nível de contaminação é muito alto. Para poder identificar exatamente o tipo de germe é preciso esperar dois dias. Por isso, já estou tomando dois remédios: um contra bactérias e outro contra fungos, que seria mais perigoso.
A mamãe e o papai haviam notado que eu não estava lindona como nos outros dias e avisaram logo o dr. Salvatore, que me fez todos os exames novamente. A mamãe já estava muito triste porque, não tendo mais veias para tomar o remedinho de respirar, a enfermeira teve que colocá-lo na do pescoço. A mamãe fica muito impressionada. Não adianta nada os médicos dizerem que não é nada, que assim é melhor pra mim...
Só amanhã poderemos saber se os remedinhos estão funcionando. Hoje preciso de muito mais dedinhos cruzados.
7 de junho de 2008
De mudança
Não teve jeito. Embora a mamãe tenha insistido com o dr. Corchia (o médico diretor geral) para que me mantivesse na UTI por mais uns diazinhos, vou ser novamente transferida para o setor “immaturi”. A mamãe acha que aqui os enfermeiros me vigiam mais do que na terapia semi-intensiva (ela ainda está muito assustada com as crises respiratórias que tive esta semana). O dr. Corchia explicou que não preciso mais estar na UTI e que é pra ela estar tranquila pois eles irão manter a linha de “segurança máxima” comigo.
Eu e o papai ficamos felizes da vida com a mudança, pois vamos poder brincar juntos por mais tempo. O papai não está de acordo, mas a mamãe acha que vamos dar muito trabalho quando eu for pra casa...
5 de junho de 2008
Sorriso maroto
Vocês podem até achar que tenho aprontado muito nestes dias, dando sustos na mamãe e no papai, mas não é bem assim. É que às vezes esqueço de falar sobre os pequenas gestos que tenho feito para deixá-los orgulhosos de mim. Antes, porém, tenho que contar a vocês que não estou com nenhuma infecção (ufa!) e que já estou melhorzinha (oba!).
O meu novo truque para conquistar ainda mais a mamãe e o papai é dar sorrizinhos. Assim como quem não quer nada, de repente...eles falam comigo e eu...pumba! estampo um sorrisão banguelo pra eles. Vocês nem imaginam o efeito que faz! É tiro e queda. Se continuar assim, aquela bicicleta vai chegar mesmo sem termos que cruzar nossos dedinhos (agora estou testando o truque com as enfermeiras pra ver se diminuem as injeções...).
Outra coisa que deixa a mamãe e o papai felizes da vida é que os médicos dizem que eu “como” que é uma beleza! Enquanto a maioria dos bebês miniaturas como eu acha difícil digerir o leitinho, eu “mando bem” tudo aquilo que me dão. Quase todos os dias eles aumentam um pouquinho a quantidade de leite e daqui a uns dias vou começar a tomar na mamadeira. Por enquanto vou aprendendo com as gotinhas de leite que a mamãe ou o papai colocam na minha chupeta (nesta parte da história, pra dizer a verdade, a mais feliz sou eu!).
Bem, por hoje é só. Tenho que controlar a mamãe, senão ela fica horas falando de mim...
4 de junho de 2008
Marcação serrada
A vida é mesmo cheia de altos e baixos. Pois é. A minha também. Fui novamente transferida para a UTI porque me sinto um pouco fraquinha, mesmo com a transfusão. Algumas vezes não respiro muito bem e tenho que receber um pouco de oxigênio dentro da incubadora. Já fiz todos os exames pra saber se estou (toc! toc! toc! ) com alguma infecção. Parece que não, mas é preciso confirmar.
Algumas enfermeiras ficaram felizes em me rever na UTI porque sou pequenininha e aqui a atenção aos bebês é bem maior: temos um enfermeiro para cada dois de nós, enquanto lá no “immaturi” um só toma conta de seis bebês (na verdade elas estavam é com saudades da “piccola Alessia”, “patata”, “pulce” (pulga), “microbi”, como me chamam por aqui). A mamãe está tranquila, pois aqui a presença dos médicos é fixa. Ou seja, marcação serrada!
E agora a boa notícia que o papai e a mamãe tanto esperavam: sim, sim, sim, já peso 1 quilo e dez gramas!!! :o)
3 de junho de 2008
Com leite e com afeto
Já me acostumei com minhas novas intalações. O clima é mais sereno e a mamãe e o papai podem participar mais do meu dia-a-dia. Além de me fazer carinhos, eles trocam a minha fraldinha, medem a minha temperatura, me ajudam a mudar de posição e conversam horas comigo. O papai continua resfriado, mas a mamãe me pega no colo quase todos os dias. Ontem não, pois eu estava um pouco abatida e fraquinha. A dra. Polimeni me deu uma nova transfusão e já me sinto bem melhor.
Ainda não tinha contado pra vocês que o leite que eu tomo (com uma sondinha que chega até a minha barriguinha) é leite de mamãe. Não o da minha, porque ela não tem, mas de mamães doadoras. É que eu nasci tão pequenina que os médicos do outro hospital sugeriram a ela que tomasse um remedinho pra não ter leite. Às vezes a mamãe fica triste porque não vai poder me amamentar, mas ela disse que vai me compensar com muito mais carinho :o)
Mas a grande notícia é que estou começando a tomar o leitinho com mamadeira! O papai e mamãe amaram a novidade e já colocaram umas gotinhas de leite na minha chupeta: não deixei espacapar nem umazinha!
O melhor de tudo é que eles podem ficar o tempo todo comigo. O papai gostou tanto da novidade que no primeiro dia insistiu com a mamãe para que voltassem depois do jantar. Agora, além de telefonar várias vezes por dia para saber como estou, ele pode dar uma passadinha por aqui... A mamãe disse reconhecer estes sintomas: o papai está perdidamente apaixonado por mim!
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