30 de julho de 2008

A turma do funil


Parece até um passa-tempo, mas não é. O papai está testando, diariamente, diversos novos bicos para as minhas mamadeiras. Tudo pra evitar que eu me canse demais quando mamo (os meus pulmõezinhos ainda estão se formando) e, claro, fazer com que eu coma mais com menos esforço.


A mamãe acha que o papai é um pouco exagerado. Um pouco. Em casa, agora nós temos bicos com um furo fluxo normal; bicos com um furo fluxo médio, bicos com três furos, bicos que podem ser um, dois ou três furos dependendo da posição; e bicos furados com agulha quente, feitos pelo papai especialmente pra mim. Mas eu, que não sou da turma do funil, às vezes engasgo.


A mamãe também não gosta dos bicos caseiros e prefere usar os adequados a bebês pequeninos, mesmo que eu me canse um pouco mais. Ela disse que, se bobear, o papai vai acabar me dando o leitinho em copos. Contrariado, o papai responde que, se deixar, a mamãe vai me alimentar com um conta-gotas.

Pelo jeito o impasse só será resolvido daqui a um tempinho, quando eu puder abrir a geladeira sozinha. Aí então, a discussão será sobre o conteúdo...

28 de julho de 2008

Beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra todo mundo que tá me assistindo


O vovô Dionísio tem razão: é hora de agradecer a todos as forças, santos, querubins, orixás e fadas-madrinhas por terem me ajudado a vencer tantas batalhas e poder, finalmente, estar bem e em casa com a mamãe e o papai.

Segundo a mamãe, mesmo antes que eu nascesse, quando ela ainda estava no hospital, muita gente rezou e continua orando por mim. Ela disse que as preces foram feitas, além do português e do italiano, em espanhol, francês, alemão, inglês, polaco e, claro, napolitano.

E apesar de ainda não falar nenhuma destas línguas estrangeiras, eu queria agradecer aos meus avós, que mantêm uma velinha acesa por mim desde o dia em cheguei ao mundo (vovô, peça aos meus priminhos pra assoprarem a velinha por mim), ai nonni in Italia, ao titios e titias que tanto se preocuparam por mim e aos amigos da mamãe e do papai que souberam estar juntos a nós mesmo estando distantes.

E agora queria aproveitar pra mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra todo mundo que tá me assistindo :o)

26 de julho de 2008

A eternidade e uma semana


Há exatamente uma semana eu e a mamãe não desgrudamos uma da outra. Desde que cheguei ela não saiu nem um minuto de casa (só pra me levar à consulta médica). Acordo e durmo com ela todos os dias. Tudo porque queremos recuperar a eternidade durante a qual estivemos separadas! E para compensar as noites que passei longe dela, uso a desculpa das minhas coliquinhas para dormir de bruços no peito da mamãe.

O papai fica muito feliz em nos ver juntinhas e também participa alternadamente da festa. É que para conseguirem dar conta de mim, ele acorda quando a mamãe dorme. E vice-versa.

Ainda é cedo pra fazer um balanço, mas acho que a mamãe já não está mais tão preocupada comigo como nos primeiros dias. Devagar devagar ela está se convencendo de que não é preciso me colocar dentro da barriga dela de novo pra poder me proteger :o)

25 de julho de 2008

Eu com as quatro



Hoje faz quatro meses que o mundo ficou mais bonito, perfumado, divertido e alegre!









24 de julho de 2008

Estou sonhando, mas não me belisquem



A vida aqui em casa é bem diferente do hospital, embora a comida seja a mesma, o “Melin 0”. A mamãe e o papai têm mais tempo para me alimentar seguindo meu ritmo e apetite. Já tomo as minhas mamadeiras quase sem levar beliscão algum nos pezinhos (tática ensinada pelos médicos para quando os bebês perdem o fôlego ou se esquecem de respirar). Infelizmente, porém, a mamãe utiliza o método como prevenção: “Na dúvida, belisca mesmo. Até ela chorar”, insiste com o papai quando ela acha que estou um pouco cansada ou mais branquinha que o normal.

Mas tudo indica que os tais beliscões estão com os dias contados. Ontem fui ao hospital para fazer o primeiro controle depois da alta. Apesar do papai ter errado a data (a consulta é na próxima semana), para evitar que uma“signorina”como eu perdesse a viagem, o dr. Valentini me deu uma olhadinha rápida: ele
ouviu os meus pulmõezinhos (que estão bem), alisou minha cabecinha (que está crescendo), procurou pela hérnia (que não encontrou) e tranquilizou a mamãe e o papai (que ficaram, espero, aliviados). Tomara! Porque, afinal, poder mamar tranquila parece até um sonho! Mas por favor, não me acordem. Meus pezinhos agradecem. :0)

22 de julho de 2008

Lar doce lar





A segunda parte da história começa aqui. Finalmente, em casa! Estou me comportado tão bem que até sobrou um tempinho pra mamãe atualizar o blog. Como vocês podem imaginar, o meu primeiro dia no lar-doce-lar foi bem movimentado. Mas fiquem tranquilos: a mamãe e o papai sobreviveram à minha primeira noite fora do hospital!

Mesmo que todos os médicos tenham dito que quando eu fosse pra casa eles poderiam “finalmente respirar” por que eu estaria “fora de risco”, a mamãe e o papai estavam muito apreensivos com o fato que eu pudesse sentir falta de ar quando tomasse as minhas mamadeiras.

É que eles estavam acostumados a me dar a mamadeira acompanhando a minha respiração e as batidas do meu coraçãozinho através de sensores ligados a um computador. Isso sem falar no batalhão de enfermeiros e médicos (e da mascarinha de oxigênio!) que estavam sempre à minha disposição.

Assim que eu saí do hospital, no caminho pra casa, a mamãe olhava o tempo todo pra dentro do bercinho pra ter certeza que eu respirasse enquanto o papai jurava que o percurso entre o Bambino Gesú e Monte Sacro tinha ficado muito mais compriiiiido. Só respirei aliviada quando, enfim, vi um portão com um lindo lacinho rosa à minha espera!

Como havia dito, a mamãe deu mesmo um jeito de preparar tudo na véspera da minha chegada. Mas embora estivesse tudo pronto, a minha primeira mamadeira em casa foi um sufoco. Suados de preocupação e com dor nos ombros pela tensão, a mamãe e o papai me deram apenas metade do leitinho que me cabia, pra que eu não me cansasse muito. A segunda refeição foi bem melhor. A terceira então, foi tão tranquila que eles nem sentiram falta dos sensores.

Mas nem assim não consegui botá-los para dormir: eles passaram a noite toda grudados no meu bercinho...

19 de julho de 2008

Final Feliz




Estou com o pé pra fora. Desta vez, do hospital. Finalmente, depois de 116 dias, vou poder ir pra casa com a mamãe e o papai. Estamos todos muito felizes e ansiosos. Pra dizer a verdade, a mamãe e o papai um tantinho mais que eu. Eles estão preocupados se vão dar conta do recado. Todo mundo sabe como são as mamães e papais de primeira viagem...


Da parte dos meus 2.380 gr de pura gostosura, vou bem contente para ganhar o mundo. Como eu disse, consigo-tomar-as-minhas-oito-mamadeiras-diárias-sem-perder-o-fôlego. É só fazer uma pausa de vez em quando.

Os primeiros resultados da ressonância magnética são muito bons. O meu desenvolvimento cerebral está dentro dos parâmetros normais para um bebezinho prematuro. Isto quer dizer que tenho todas as chances para crescer muito bem. Já o exame auditivo não foi tão positivo, mas a mamãe e os médicos disseram que eu não devo me preocupar. Refaremos os exames dentro de algumas semanas e, mesmo que os resultados não sejam bons, há milhares de soluções para que eu possa ouvir bem.

Estamos muitos emocionados em reconhecer que no final deu tudo certo e que vamos concluir esta parte da história com Final Feliz. A mamãe disse que toda a apreensão que ela viveu nestes quatro meses mudou para melhor as nossas vidas e a do nosso pequeno redor. Eu, a mamãe e o papai agradecemos aos médicos, enfermeiros, funcionários e religiosos do Bambino Gesù pela enoooooorme dedicação a todas as criancinhas que precisam da ajuda deles.

Vou embora jogando um beijinho ao céu para todos os bebezinhos que conheci aqui mas que, infelizmente, não puderam ir pra casa. Vou deixar um beijo ainda mais especial às criancinhas que ainda vão continuar por aqui por um tempinho e dizer que estou torcendo para que sarem logo.

Agora devo começar a segunda parte. Se eu não aparecer por aqui, vocês já sabem:é que os braços da mamãe serão só pra mim. Afinal, eu mereço!

17 de julho de 2008

Cansei de ser pipoca



Já estou gorducha e nada de me mandarem pra casa. Já consigo tomar as oito mamadeiras sem me cansar tanto e sem receber oxigênio. Antes, era como escalar o Everest! Pudera, agora peso 2.300 gr!

O dr. Valentini disse que falta pouco (a hérnia, quem viu?). Os resultados da ressonância magnética não estão prontos e antes de ir embora ainda tenho que fazer um exame audiométrico...

Como está demorando, resolvi mudar de visual. A mamãe disse que com a roupinha e o chapeuzinho brancos do hospital pareço uma pipoca. Aí, a tia Sahida, a mamãe do Rayan, me trouxe este lindo lacinho. A mamãe agora disse que eu pareço um presentinho, o melhor que ela podia receber na vida!

Já as enfermeiras, mesmo as que não conhecem as minhas origens, dizem que eu pareço uma “brasiliana” (?). Vai entender...

16 de julho de 2008

Quem foi que viu?


Mistério. A médica cirurgiã veio me visitar e não encontrou hérnia nenhuma. “Quem foi que viu?”, perguntou à mamãe. A mamãe não soube responder, mas tem certeza de que foi o dr. Salvatore quem afirmou que a hérnia não desaparecia, em hipótese ne-nhu-ma, sem cirurgia.

Agora, a orientação dos médicos é que, a cada troca de fraldinha, todos vigiem bem a minha “patatina”. Melhor assim! Vai ver o gato comeu... Mas isso, eu não vi.

15 de julho de 2008

Dois + dois = 2.220 gramas


Vocês, que entendem de matemática e já fizeram as contas, sabem que peso mais de 2.200 gr e querem saber quando eu vou pra casa, não é? Segundo a mamãe (e desta vez os médicos confirmam!), falta pouco.

Ontem o dr. Salvatore disse que ainda tenho um pouco de dificuldade para respirar (por causa da broncodisplasia), mas que vou melhorar com o passar do tempo. Acho bom, pois meu apetite continua crescendo e preciso de muito fôlego para tomar as minhas oito mamadeiras diárias!

Ele disse também que estou com um hérnia inguinal e que, embora não seja urgente, vou ter que ser operada. A mamãe e o papai sabem que não é nada de grave, mas devem decidir se a cirurgia deve ser feita antes que eu vá para casa ou se volto ao hospital daqui a algumas semanas. Agora eles estão estudando a equação: jejum + anestesia + operação + antibióticos / ficar livre do hospital x vontade de me levar pra casa² = ?.

Enquanto eles não encontram o resultado, vocês já sabem: a minha janela é última, no segundo andar. O meu bercinho é o segundo à direita.

11 de julho de 2008

Mostro ou não?


Se eu não fosse tão apressadinha, deveria ter nascido hoje, dia 11 de julho. Mas apesar de não ser meu aniversário, eu e a mamãe vamos nos lembrar pra sempre desta data com muito carinho. Tudo por causa dos vários recadinhos que eu recebi nesta linda sexta-feira!

A mamãe disse que a minha foto no blog teve mais audiência que jogo do Brasil em final da Copa do Mundo, que último capítulo da novela das oito e que a Playboy da Mulher Melancia juntos! E olha que eu nem mostrei minhas pernocas...

10 de julho de 2008

Atendendo a pedidos...


A tia Renata acertou! A surpresa era euzinha saindo bonita na foto. Já era hora, vocês não acham? Agora que já peso dois quilos e até recebo visita de amigos na janela... Fico devendo a de corpo inteiro.

Aproveito para contar que hoje darei uma voltinha pelo hospital. Vou até o andar de baixo fazer uma ressonância magnética, o exame que irá confirmar que o pior já passou e que estou me desenvolvendo bem. A dra. Giliberte disse que eu devo estar bem quietinha e, por isso, talvez eu seja sedada.


Não preciso nem dizer o quanto a mamãe e o papai estão ansiosos, pois os resultados estarão prontos somente daqui a alguns dias. Da minha parte, como vocês podem notar, estou bela e tranquila :0)

8 de julho de 2008

Cenas do próximo capítulo



Não percam!
Em breve haverá uma surpresa neste blog...
Ganha um doce quem advinhar!


Obs.: ninguém acertou ainda.








7 de julho de 2008

Nada como dormir na própria cama


Como disse a mamãe, “a princesinha voltou para o castelo de cristal”. Mas foi só por uma noite, para descansar um pouquinho. É que as novidades desta semana foram de tirar o fôlego. Literalmente!

A dra. Rechichi achou melhor que eu voltasse para a incubadora, no caso em que eu precisasse de um pouquinho de oxigênio...O papai e a mamãe ficaram muuuito tristes (desta vez até o papai chorou!), porque o dr. Valentini tinha dito que se eu continuasse a ter dificuldades em respirar seria preciso fazer todos os exames novamente para ter certeza de que não se tratasse de uma outra...


Bem, felizmente, era somente um pouco de cansaço. E, como todo mundo sabe, nada melhor do que dormir na própria cama! Na manhã seguinte, eu já estava radiante e pude voltar para o bercinho.

Mas as mudanças não páram por aqui. Superada a troca de casa e de clima (dentro da incubadora era tropical: calor constante e úmido; fora dela, é variável: escondidas das enfermeiras, as mamães desligam o ar condicionado), agora tenho que me acostumar com a minha nova dieta.

Já não tomo mais o leitinho de mamães doadoras, mas leite artificial. Os médicos disseram que, além de ser mais calórico (ainda não estão satisfeitos com os meus 1.880 gr!), tenho que ir me acostumando pra quando eu sair do hospital...O problema, agora, é que estou tendo dificuldade para “ir ao banheiro”. Mas acho que isso não tem nada a ver com a mudança de casa... :0(

5 de julho de 2008

Castelo de Cristal



Eu não disse que estava com o pé pra fora da incubadora? Pois é. Agora que já consigo me manter quentinha, os médicos me passaram para o bercinho. É um passo e tanto! A mamãe disse que finalmente “a princesa saiu do castelo de cristal pra ir morar numa casinha fofinha”!

Fizemos a mudança antes de ontem, quando eu ainda pesava 1.720. Ontem já estava a 1.775!

Adorei a novidade. Eu estava mesmo precisando de uma mudança de ares, de sons, de panorama e de novos estímulos. Dentro da incubadora, o mundo chega um pouco distorcido...

Isso sem falar que a mamãe pode me pegar no colo sem ter que pedir às enfermeiras. Agora, para trocar a minha fraldinha ela pode desligar os sensores e me levar até o balcão trocador. É ótimo, pois podemos ficar ainda mais pertinho uma da outra. A mamãe aproveitou para me dar muito beijinhos no pezinho!

3 de julho de 2008

Vitaminada


Estou me sentindo muito bem nestes dias com as minhas três mamdadeiras diárias e já peso 1.680 gr! Não preciso mais de nenhum remedinho, ne-nhun-zi-nho! Agora só tomo vitaminas.
O Dr. Salvatore disse que estou em fase de “engorda” e que, daqui a uns dias, vou poder sair da incubadora e ir para o bercinho!

Aí sim, a mamãe vai poder me pegar no colo quantas vezes quisermos. Temo que, com esta história de muito colo, a mamãe fique mal acostumada... Na verdade, eu também fico com muita saudade quando ela vai embora. Pudera, se até ela, que é grande grande, sente falta da mamãezinha dela, imaginem eu que sou tão pequeninha...

1 de julho de 2008

Melindrosa






















Sentem-se todos, pois vou dizer quanto estou pesando: 1.610 gr. É isso mesmo, um quilo seiscentos e dez gramas! A mamãe disse que agora sente o meu peso quando me pega no colo, pois antes eu pesava “quanto uma pluma” (sim, eu já era macia e gostosa!).

Ela disse que estou até bochechuda! Pudera, continuo com a minha dieta de leitinho fortificado. Agora, oficialmente, são 37ml, oito vezes por dia, três delas com mamadeira!

E mesmo que eu não tenha estado muito bem e tenha precisado de uma nova transfusão antes de ontem (como o tempo passa, parece que foi ontem!), não perdi meu apetite nem mesmo por uma refeição.

Pelo contrário, se atrasam a minha “pappa” fico uma fera. De pele macia sim, mas perigosa...(a mamãe, aliás, está estudando um modo para cortar as minhas unhas!).