
A minha primeira festa de aniversário foi muito animada! Revi alguns dos bebês que nasceram pequeninos como eu, conheci outros amigos da mamãe e do papai e, como convém a uma verdadeira anfitriã, passei de um abraço a outro com muita elegância e disposição!

Adorei puxar as bexigas coloridas que o papai pendurou pelo salão e na hora de apagar a velinha não faltou ajuda da criançada! Recebi muitos elogios pela minha beleza e simpatia e ganhei vários presentinhos. Mas do que eu gostei mesmo foram das bolhas de sabão que a criançada soprava pelo ar...


A mamãe e o papai estavam muito felizes e orgulhosos em receber felicitações por mim. Quando eu nasci, ninguém nos deu os parabéns (as pessoas ainda não sabiam que eu estava determinada a ficar...). A mamãe não me esconde que o dia do meu nascimento, ao contrário da maioria das mamães deste mundo, não foi o dia mais feliz da vida dela (“muito pelo contrário”), e por isso ela fazia tanta questão de celebrar o meu primeiro aniversário com muita festa e com alegria em dobro!
E mesmo que nem todos tenham podido comparecer à festa, a comemoração pelo meu primeiro aninho de vida foi internacional: recebi parabéns da Itália, Brasil, Portugal, França e Alemanha. E quem não pode vir não precisa ficar triste: não vão faltar datas e ocasiões pra festejarmos juntos a minha formosura. Afinal, eu mereço!

Tão logo eu e a mamãe tivermos recuperado as nossas energias após o fuzuê, daremos notícias!

A banda de Portugal, infelizmente, já passou. Durou pouco, mas os priminhos trouxeram bagunça, sorrisos e muita alegria!
Hoje a festa continua. Já estou aquecendo o pandeiro - que a mamãe me deu de presente - para receber todos os amigos na festinha do meu primeiro aniversário!
Na parte de cá do planeta, a estação das flores chegou nesta semana. Também nesta semana chegaram aqui em casa (lá de Portugal) a titia Veruska, o tio Rui e os priminhos Victória e Vicente. E olha que os acontecimentos importantes da semana não páram por aí: dentro de poucos dias vou completar a minha primeira primavera!
Enfim, o enorme entusiasmo pela chegada da nova estação, o divertimento com meus priminhos portugueses e a proximidade da minha festinha têm me tomado todo o tempo...

Hoje aqui na Itália é dia dos pais. O jantar de comemoração, obviamente, requer um um "bello piatto di pasta"!
E mesmo que o meu projeto de dente ainda não me permita mastigar "spaghetti al dente", não vou ficar de fora da festa: tantas pequenas estrelinhas já estão prontas para saltarem na minha sopinha e fazerem com que o papai fique ainda mais orgulhoso desta pequena italianinha!
Segundo a mamãe, a minha babá não podia ter escolhido um apelido melhor pra mim. Só porque gosto que caminhem pela casa comigo no colo e resmungo se o meu(minha) condutor(a) dá uma paradinha para descansar...
Upa! Upa!
Em menos de um ano vida, já recebi duas cartas do Ministério da Economia e das Finanças (podem ficar tranquilos, não se trata de cobrança de impostos, pelo menos ainda...). A primeira comunicação da República Italiana endereçada à "gentile cittadina" Alessia Ascione chegou aqui em casa poucos dias depois do meu nascimento.
A mamãe disse ter achado engraçado uma cidadã tão pequena - e tão analfabeta! - receber uma carta de um órgão oficial, ainda mais de um Ministério. Na ocasião, além de me enviar o cartão sanitário com o meu código fiscal, o Estado italiano me informava sobre o meu direito de receber assistência médica em qualquer país da União Européia e me indicava um número de telefone gratuito, caso eu quisesse esclarecer qualquer dúvida a respeito...
A segunda carta, que chegou ontem, trazia o meu segundo cartão sanitário, desta vez válido até os seis anos de idade.

Enfim, como já sou uma cidadã com código de contribuinte e cartão sanitário válidos em toda Europa (e visto que a mamãe acha um pouquinho cedo pra eu ter o meu cartão de crédito), só falta mesmo o meu passaporte pra eu por o meu pezinho na estrada!
A mamãe hoje está ainda mais feliz. É que durante a minha consulta com o neurologista da clínica onde faço fisioterapia, ela ouviu pela primeira vez o que até agora nenhum médico havia garantido: que eu vou poder caminhar direitinho!
De acordo com o neurologista, mesmo sem engatinhar ainda, através dos meus movimentos é possível afirmar que a minha extrema prematuridade não deixará sequelas na minha coordenação motora.
A mamãe disse que, no fundo, ela já sabia, mas que ouvir isso "categoricamente, com todas as letras, dá um sossego..."
O papai partiu ontem para a China de novo. Só espero que o meu primeiro dentinho, que há tempos está ameaçando aparecer, não resolva dar as caras bem nesta semana! O papai não iria gostar de estar ausente num momento tão significativo... Acho que ele quer ser o primeiro a levar uma mordidinha...
Fomos novamente à Ferrara para a minha consulta audiológica. Desta vez, porém, ficamos hospedados no centro da “cidade das bicicletas”, num hotel muito antigo (e que antes de mim já havia hospedado pessoas ilustres como a Napoleão Bonaparte, em 1866, e Giuseppe Verdi, em 1872). O hotel estava tão perto do hospital que não consegui convencer o papai de irmos até lá usando o meio de transporte preferido das crianças que moram lá...

Bem, fomos ao hospital (este aqui embaixo) a pé mesmo, eu no carrinho.

Enfim, os médicos disseram que, apesar da minha audição ter melhorado um pouco desde a última consulta, o que eu consigo escutar, mesmo com a ajuda dos aparelhinhos, ainda não é suficiente para que eu aprenda a falar corretamente.
É preciso esperar mais alguns meses para termos uma diagnose definitiva, pois sou muito pequenininha e a minha audição pode melhorar ainda mais. Apesar disso, os médicos explicaram que as eventuais melhorias não serão suficientes para reverter o meu quadro de surdez profunda. Ou seja, é muito provável que o uso das próteses não baste para que eu consiga falar tudo direitinho e que, portanto, eu deva fazer um implante coclear (que vou explicar aqui um outro dia).
Por isso, na minha próxima consulta ao hospital de Ferrara, que sará daqui a dois meses, além de refazer os testes de audição, vou fazer também uma ressonância magnética e uma Tac, como preparação para uma eventual cirurgia de implante. Isto porque, se necessária, a operação deve ser feita o quanto antes possível para que a minha aprendizagem não seja prejudicada.
Mas não se preocupem, até lá vou contando tudo a vocês, passo a passo. E quem sabe da próxima vez o papai e a mamae não me levam para dar umas pedaladas? A primeira regra do trânsito eu já aprendi: não apoiar bicicletas nos muros!
