O pessoal da ala esquerda que me desculpe, mas o ouvido escolhido foi o direito. O prof. Martini nos disse que pesquisas recentes constataram que o ouvido direito leva informações sonoras ao cérebro mais rapidamente que o esquerdo. Quer dizer o seguinte: a mamãe vai ter que me pegar no colo muito mais vezes até ela aprender bem direitinho a me fazer dormir - do jeitinho que eu gosto - usando o outro braço.
Mudando de assunto, mas não muito, chegamos em Ferrara ontem, no último dia do Festival Buskers, que todos os anos reúne centenas de músicos de rua, vindos de diferentes países.

As calçadas da pequena cidade ficam lotadas de artistas disputando a atenção do público.

E apesar de ainda não conseguir ouvir, gostei demais da festa. Por isso, ano que vem eu volto. Não prometo já estar com o rastafari pronto,

nem que serei capaz de carregar instrumentos como estes aí,

mas que eu vou curtir o som...

ah!, isso sim!
Como eu disse, ainda não sabemos se eu vou ser operada do lado esquerdo ou direito. Visto que meus dois ouvidinhos têm a mesma anatomia e que ainda é cedo para sabermos se eu serei canhota ou destra (o que, ao contrário das inclinações políticas, é uma opção involuntária) a decisão será tomada pelo prof. Martini, junto com a mamãe e com o papai, com base nas preferências deles. Daquilo que ententemos, a escolha pelo lado direito ou esquerdo não tem implicações médicas.
Mas como a mamãe anda encafufada questionando-se de que lado deverá fazer-me dormir depois que eu tiver feito o implante (sim, eu ainda me adormento no colinho da mamãe!), se depender de nós, em breve vou estar escutando deste ouvidinho aqui:
A poucos dias para a minha cirurgia de implante coclear, ainda não sabemos em qual dos dois ouvidos serei operada. A dúvida, porém, parece inquietar somente a mamãe.
A nossa viagem para a Áustria começou com várias novidades pra mim: pegamos trem, avião e metrô. E embora a minha primeira viagem de avião fora da barriga da mamãe tenha sido muito curta, a minha alegria durou pouco.

Digamos que, na hora da decolagem e da aterrisagem, chorei um bocadinho... E nem a vasta oferta de leitura oferecida pelas gentis aeromoças conseguiu livrar os demais passageiros dos meus protestos contra a mudança de pressão na cabine.


Chegamos à Viena no começo da noite, debaixo de chuva. No dia seguinte, o tempo estava melhor e pudemos passear bastante. Este aí é o Palácio Rathaus, a sede da prefeitura de Viena, preparada para promover eventos culturais durante o verão.


Alguns detalhes da cidade:



A mamãe entendeu que ali passava ônibus. Ou melhor, que passavam três ônibus. Ou seja, entendemos que era um ponto. E ponto.

Pausa para o almoço. Ao fundo, a famosa Ópera de Viena.

Agora, vista de dentro.


A mamãe disse que Viena é considerada "a cidade da música erudita" e que poderemos voltar a visitá-la quando eu for maiorzinha para assistirmos a um espetáculo. Humm, sei não, acho que vou ter que estar muito, mas muuuuito maiorzinha mesmo pra gostar de ópera...

Para a alegria dos turistas e desespero dos taxistas turcos, no centro de Viena as charretes estão por todos as partes, de dia e de noite.

A cidade é limpinha graças a um mecanismo, acoplado ao próprio aninal, que recolhe a sujeira deixada por ele.

O papai e a mamãe não se interessaram muito em passear de charrete, mas eu, como boa turista, adorei, dei tchauzinho e me sentei várias vezes para vê-los passar...


E por falar em cavalos, o espetáculo da "famosa Escola Espanhola de Equitação de Viena, um dos mais antigos e refinados conservatórios de hipismo do mundo", estava fora da temporada. Melhor pra eles, não é? Aqui embaixo uma das estrelas, da raça Lipizzaner, em férias.

Outros detalhes da vida vienense.




Restaurante tradicional.


Restaurante "mediterrâneo" (com oliveira e tudo).

Barraquinha de hot-dog.

Outro ponto turístico é o Hotel Sacher, onde fazem a famosa torta de chocolate com geléia de damascos.

Escrita em 1832 por um jovem cozinheiro de apenas 16 anos, a verdadeira receita desta torta é mantida em segredo até hoje. A mamãe estava curiosa para saber se eu iria gostar de chocolate.

Não gostei e ainda derrubei a xícara de café do papai.

Em compensação, adorei o "apfelstrudel" (da Starbucks mesmo).

Auf Wiedersehen. É isso. Pra quem gostou, amanhã tem mais.