
Primeiro eram as minhas mãozinhas, depois estes lindos pezinhos. Agora, o meu novo passatempo é brincar com as minhas orelhinhas. Naturalmente, não posso vê-las e, portanto, encontro-as sempre por acaso: mecho, puxo, dobro e estico. Como todos os bebês, me divirto descobrindo o meu corpinho. O único problema é que acabo arrancando os aparelhinhos dos ouvidos e, visto que estão ao alcance das minhas mãozinhas, por que não experimentá-los também? ;o)
O primeiro dia da babá aqui em casa foi muito tranquilo. As únicas recomendações da mamãe foram para que ela prestasse atenção no caso em que eu arrancasse meus aparelhinhos dos ouvidos e que brincasse comigo enquanto ela trabalhava no computador, visto que nestes dias estou “muito irrequieta e não dou sossego a ninguém”.
Julia brincou um pouco comigo, passeu pela casa me segurando no colo (um tantinho mais fofo que o da mamãe), me cantou canções de ninar africanas e, em dois minutos, a “bebê tremenda” caiu num sono que durou a tarde inteira...
Bem, se o objetivo da mamãe é manter-me rodeada de pessoas positivas, acho que ela acertou na escolha da minha babá. Julia é quase tão alegre quanto eu! :o)
Nome: Julia
Idade: 35 anos
Nacionalidade: congolesa
Língua-mãe: francês
Formação: ex-noviça
Profissão: estudante de Ciências da Educação
Atividade atual: babá da Alessia
Vocês já devem saber que Roma não é uma cidade famosa pelo seu carnaval. Aliás, a diversão por aqui é bem pouca nos dias de festejo de Momo. Não há desfiles de escolas de samba, blocos de rua nem bailes de salão. Enfim, o sanatório não é geral. É quase...
Para não deixar a data passar em branco, os romanos (eu ainda não) comem “castagnole” (doces típicos feitos exclusivamente nesta época do ano) e assistem pelo telejornal flashes (de dois segundos) do Carnaval de Veneza e (de meio segundo) da festa no Rio de Janeiro. De acordo com a mamãe, os pessoal da TV poderia até passar o mesmo vídeo todos os anos que ninguém iria perceber. A maior vantagem, segundo ela, é que ninguém fica sabendo em que escola a Suzana Vieira vai desfilar ou quem é o novo namorado da Ivete Sangalo.
Mas nem tudo é em vão por aqui. Nestes dias de festa é muito comum encontrarmos pequenos animais de pelúcia e minúsculas bailarinas com sobretudo saltitando pela ruas da cidade. É isso mesmo! Apesar do frio, a alegria está garantida: as crianças estão sempre animadas e se fantasiam para irem às festas organizadas pelas escolas (humm, se o preço a pagar é ter que ir pra escola, acho que vou preferir não ter fantasias...).
Bem, mas enquanto a mamãe e o papai não me deixam ir ao baile de máscaras de Veneza, nem desfilar na Gaviões da Fiel com a vovó Iara, nem encomendam o meu abadá para ir atrás do trio elétrico na Bahia, a folia vai ser aqui em casa mesmo, no colinho da mamãe. Aliás, como tenho feito todos estes dias: com a animação de uma escola de samba. “E haja fôlego”, diz a mamãe!
A mamãe o papai completam hoje sete anos de casamento.
A deles é ou não uma história feliz?
Felizmente já sarei da tosse e do resfriado. Pudera! Tomei canja até enjoar... Agora só tenho olhos para o polvo de plástico que de vez em quando vejo passar na minha frente aqui em casa e cujos tentáculos servem para segurar as minhas minúsculas roupinhas íntimas depois de lavadas. Sem dúvida alguma, é o objeto mais bacana aqui de casa.

Consigo identificá-lo de longe, embora a mamãe o mantenha sempre rigorosamente fora do meu alcance...

Ai, ai... quem me dera ter mais uns seis bracinhos...
Embora tivesse melhorado do resfriado nos últimos dias, ontem acordei com um pouco de tosse. A mamãe cancelou a sessão com a fonoaudióloga e ligou para o papai contando que tinha um “gatinho chiando” dentro do meu peito. Como não conseguiram encontrar a minha pediatra (que na última consulta disse à mamãe para me levar ao hospital Bambino Gesù porque não sabia que remédios eu podia ou não tomar!?), o papai chamou a médica da minha amiga Matilde, que é homeopática, e ela veio logo me visitar.
Depois de me examinar e ouvir os meus pulmõezinhos, a médica disse à mamãe para estar tranquila e “observar a evolução do quadro” e nem cogitou o uso de cortisona que, segundo ela,“debilita ainda mais o organismo”.
Para sarar da tosse ela me receitou umas bolinhas que devem ser dissolvidas em uma colherzinha com água, inalações, infusões de vapor com camomila, sopinha de batata com alho poró e, tchan tchan tchan tchan: canja de coxa de galinha! (isso mesmo, o papai vai saltar de alegria!), acrescentando à receita cebola e...cravos! Diante a tal cardápio, a mamãe ainda tentou me animar dizendo que podia ser pior: “se você estivesse no Brasil, o vovô ainda incluiria nesta lista mel com agrião!”. Humm, é melhor eu estar em forma quando for pra lá..
Bem, ficamos combinadas que seguiremos o tratamento a risca e se a tosse aumentar telefonaremos novamente para a médica. Antes de ir embora, porém, ela recomedou à mamãe que não saia de casa comigo nos próximos dias e que me mantenha sempre quentinha, principalmente minhas mãos e pezinhos.
Pois é, precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Mesmo!
Devo ter aprontado demais...
Só faltou a mamãe escrever o "desesperadamente"!
Entusiasmado com meu ótimo apetite, e vista a minha recente iniciação ao mundo gastronômico através das variadas sopinhas aqui de casa, o papai não via a hora de me ver sentada à mesa e assim poder reunir a nossa pequena família na hora do jantar, como requer a tradição veramente
italiana.
Por isso, mal tive tempo de engolir as minhas primeiras colheradas e glup! o meu fantástico cadeirão (que o papai escolheu pela internet e mandou vir lá da Alemanha) já estava aqui em casa. A novidade, porém, chegou um pouco adiantada, pois ainda sou muito pequeninha e fica sobrando espaço por todos os lados... Mas o papai não desiste facilmente: forrou as partes de trás e da frente com cachecóis de lã da mamãe e, agora sim, estou pronta para estar à mesa, a qualquer hora, com eles e com quem mais quiser passar por aqui.
A mamãe também adorou meu cadeirão, embora utilize-o com outras finalidades: posso ficar sentadinha por cerca de três minutos (mais ou menos o tempo que dura a minha paciência antes que eu comece a puxar os fios) ao seu lado enquanto ela lê os seus emails.
Eu também amei a novidade e daqui ninguém me tira: já já vou poder comer (e blogar!) usando minhas próprias mãozinhas! :o)