Não sumiu mas diminuiu. O curativo que os médicos me puseram agora que os pontos já estão fechados é bem pequeno e serve apenas para impedir que meus lindos e frenéticos dedinhos levem germes para dentro do meu ouvidinho. Agora é só deixar crescer a cabeleira e, claro, esperar pelo meu tão aguardado - e moderníssimo - aparelhinho de ouvir...
Enquanto aquele trem lá não chega, o jeito é embarcar nos que já estão passando pela minha vida, como por exemplo este Eurostar aí, que nos levou até Ferrara.

Ao contrário das cinco horas de carro, desta vez a viagem durou só três horas e eu nem tive que ficar o tempo todo sentadinha. A mamãe e o papai tiveram a alegria de ficar o tempo todo comigo no colo, passando de um vagão a outro.
Levei-os para tomarem um cafezinho,

para lerem os jornais do dia,

enfim, nos divertimos todos,

e eu nem precisei pagar o bilhete!!
Meu visual de enfaixadinha está comos dias contados. Amanhã iremos para Ferrara para o primeiro controle após a minha cirurgia e para retirar o curativo.

Mas ao contrário do que estava previsto, ainda não será desta vez que os médicos irão ativar o meu aparelhinho de ouvir. Isto porque um novo modelo de implante coclear, menor do que o atual, estará disponível a partir do próximo mês. Apesar da ansiedade - e com o aval dos médicos -, a mamãe e o papai decidiram esperar pelo novo aparelho, ainda que isto signifique mais algumas semanas sem que eu ouça nadinha, o que, na minha idade, representa um tempo enorme.

Por isso, até lá, a vida vai ser a de sempre: vou continuar a usar a prótese do ouvido esquerdo muito menos que o necessário (é que, não achando muita graça naquele aparelhinho, não o deixo na minha orelhinha "de-jei-tim-nin-um") e aproveitando pouco as sessoes de fonoaudiologia.

Então é melhor eu pensar em meus objetivos imediatos como, por exemplo, superar os obstáculos (ou a bravura da mamãe) e alcançar os fantásticos fios, cabos e tomadas que ficam escondidinhos atras da tevê aqi de casa...

Alguém aí tem alguma dica de como eu posso chegar até eles?
Na minha, só levo o básico: além das fraldinhas, os óculos de sol, uma escova de cabelos, o celular, as chaves, um suquindo de fruta e, claro, um livrinho pra passar o tempo.

Bom fim de semana!
Comer chocolate, goiabinha, brigadeiro, tomar cola-cola, subir escada e passar batom são coisas que eu ainda não tinha feito - e continuaria sem fazer sabe-se lá até quando! - se a vovó Iara não tivesse passado por aqui. Esvaziar completamente as gavetas da cozinha da mamãe - até o último guardanapinho - também foi possível graças à cumplicidade da tia Zelinda que, pacientemente, colocava tudo de volta no lugar certo até aprender a posição exata de casa tapawerzinho!
E bem agora que eu já estava acostumada a ser tratada como gente grande elas simplesmente pegaram as malas e foram embora. Vão passear pela Espanha, Portugal e Marrocos, ó céus!, sem mim!!!
Tudo bem, elas podem até ter me esquecido aqui, mas esta é só a primeira parte do filme...

Agora que sou emancipada, a gente vai se ver lá no Brasil!
A mamãe e o papai da minha amiga Matilde vão se casar hoje.

A festa vai ser fora de Roma, mas nós não iremos porque o papai prefere não dormir fora de casa enquanto eu estiver com o ouvido enfaixadinho. Por isso mando aqui um beijo aos titios e fico torcendo pra que a família logo logo aumente!
Desde que certas personagens brasileiras chegaram aqui para me visitar, meus dias têm sido um verdadeiro desenho animado, com direito a algumas trapalhadas, uma pitadinha de fantasia e, principalmente, muita diversão!
A vovó Iara e a tia Zelinda estão nos paparicando pra valer e, além disso, trouxeram com elas carinhosas saudações e o afeto de todas as outras titias que eu tenho no Brasil e que ainda não conheço. Enfim, por aqui estamos todas muito bem enturmadas!
Algumas, como vocês podem notar, até demais...

Aproveito para mandar um beijinho a todos vocês que gostariam de estar participando juntinho comigo destes momentos tão importantes pra mim!
Pasme! (ou, se você for criança, morra de inveja) com o que eu vou te contar: a minha pediatra, por ser homeopática, não dá injeções nunca. E quando eu digo nunca é nunca mesmo.
Aqui na Itália, além da minha médica, que acreditamos ser a única, as farmácias também não oferecem este serviço: quando alguém precisa tomar injeção vai ao hospital ou recorre a uma tia, à cunhada, à vizinha, ou, o que é mais comum, a um amigo que já tenha aprendido esta arte usando o próprio bumbum. Outros, como o papai, procuram enfermeiros em anúncios ou telefonam às farmácias pedindo indicações de profissionais experientes que possam atender na zona da própria residência. Enfim, agora que já recebi alta e estou em casa, o papai encontrou uma enfermeira pra vir me dar o antibiótico durante os próximos três dias.
Ao contrário da minha médica, que sabiamente se recusou a dar uma picadinha num bumbunzinho tão fofinho como o meu, a moça que aceitou este serviço só poderia ser mesmo muito antipática. Vocês não acham?
Como vocês podem notar, estou me recuperando muito bem da operação. A preocupação maior da mamãe já passou, não tive dores nem problemas com a anestesia. A atenção agora é para que eu não durma nem apóie a minha cabecinha do lado operado e que tenhamos muito cuidado durate a troca de curativos para afastar os riscos de infecções.
Continuo de ótimo humor e dando tchauzinho a qualquer pessoa que eu encontre pelos corredores do hospital. No começo as pessoas ficam surpresas ao me verem tão pequeninha e com um turbante tão grande (uma velhinha preocupada perguntou à mamãe: "ô minha senhora, ELE caiu, foi?) mas logo caem na risada ao me verem batento palminhas, cheia de animação. Pra mim, a única diferença é que nestes dias ando um pouquinhomaisgrudadada com a minha mamãe, que agora me chama de "a enfaixadinha mais bonita do hospital".

Mas não sou a única. Outras duas crianças que fizeram o implante com o prof. Martini nesta semana também estão com um ouvido enroladinho e se recuperando muito bem. Uma delas é um bebezinho de dois anos (nascido quase tão pequenino quanto eu e que também é seguido pela minha fonoaudióloga em Roma) e que ontem fez o seu segundo implante coclear!
Mas vamos com calma. Minha única pressa, por enquanto, é receber alta e ir continuar a bagunça lá em casa...
O pior já passou. Uma passadinha rápida por aqui só pra dizer a vocês que a cirurgia correu bem e que acordei da anestesia com ótima disposição. Voltaremos aqui com mais calma, mas não antes de deixarmos o registro deste momento importante.
Aviso: Quem não quiser me ver de turbante não desça a página e volte aqui outro dia.
Antes

Depois

O depois do depois, a gente coloca depois.