31 de maio de 2010
Meu nome
A grande novidade dos últimos dias é que já sei dizer o meu nome. Além de usar a mãozinha para falar na língua dos sinais, digo "Alessia" (mesmo que não seja com todas as letras...o que resulta, mais ou menos, em "Agezia").
E por falar em nome, para quem não sabe, a mamãe escolheu o meu poucas horas antes que eu nascesse, sem nem perceber. Quando ela estava no hospital, uma simpática senhora peruana que estava internada ao lado dela e que passava o tempo todo rezando, vendo que a mamãe sentia muitas dores quis dizer uma prece pra mim e, colocando a mão na barriga da mamãe, perguntou a ela qual era o meu nome. A mamãe, que até então estava adiando a escolha, decidiu que eu não poderia estar nem mais um minuto sem ter um nome certo. Daquele momento em diante passou a chamar-me Alessia.
Outra curiosidade é que a mamãe acompanhou o papai ao cartório para me registrar. Ao vê-la ali, a mocinha que escreve no livrão o nome dos bebêzinhos recém-nascidos logo imaginou que nem tudo tinha corrido bem, pois àquela hora a mamãe deveria estar em casa me dando de mamar. Ela desejou boa sorte pra mim e disse que a mamãe havia escolhido um lindo nome!
Já o meu "batizado" na língua dos sinais foi feito pela minha fonoaudióloga, quando eu ainda era um bebezinho: no idioma dos surdos o meu nome fala-se usando a mão direita fechada, com o pulso virado pra fora (que é o sinal da letra "a") e fazendo um movimento que imita a forma do mapa do Brasil (uma homenagem às minhas origens).
A mamãe, como vocês estão cansados de lerem aqui, se emociona sempre que ouve a minha vozinha, principalmente quando digo o meu nome. Algumas vezes ela se lembra de como ficou triste a primeira vez que coloquei os aparelhinhos nos meus ouvidinhos (aqueles que eu usava antes do implante). Assim que o técnico instalou as próteses o papai quis logo testar se elas funcionavam e chamou-me pelo meu nome. A decepção da mamãe e do papai foi enorme, não tanto pelo fato que eu não pudesse ouvir nem mesmo com os aparelhinhos, mas porque o odioso técnico despertou-os rudemente para uma realidade que até então eles não haviam suspeitado, dizendo: "Ascione, é inútil chamá-la. Ela não sabe que ela é a Alessia". Eles saíram de lá muito tristes, imaginando o mundo de dificuldades que eu poderia encontrar pela frente se realmente não fosse capaz de ouvir. Hoje, felizmente, aquela cena é apenas uma péssima lembrança da mamãe...
29 de maio de 2010
Porque ainda é primavera!
23 de maio de 2010
Que sorte!
Não é de propósito (pelo menos não ainda), mas desde que comecei a ir à escola tenho ficado gripada com muita frequência. Febre, dor de garganta, tosse e, mais recentemente, inflamação no ouvido implantado (!) têm deixado a mamãe muito ocupada em tomar conta de mim.
Não deu nem tempo de contar que tive consulta geral no hospital Bambino Gesù e que, apesar de não ter crescido muito, os médicos disseram que estou muito bem e que sou realmente muito sortuda em estar tão bem tendo nascido tão pequenininha! O oculista disse que meus olhinhos também vão muito bem e que eles tiveram muita sorte em serem curados em tempo. E, pela enésima vez, repetiu que não sou estrábica. A mamãe, porém, continua me vendo um pouco vesguinha.
A psicóloga disse que estou evoluindo bem e que estou apenas um pouquinho abaixo dos testes correspondentes à minha idade, pois os quesitos não separam a capacidade cognitiva daquela linguística, onde, por razões óbvias, ando um pouco atrasadinha. A única recomendação à mamãe e ao papai é estarem atentos à minha hiperatividade e pouca concentração.
A mamãe e o papai estão estão muito orgulhosos de mim e disseram que têm muita sorte em me terem como filha!
19 de maio de 2010
13 de maio de 2010
Viagem à Ischia - última parte
Demorou mas voltei pra contar algumas das minhas peraltices em Ischia. Durante a minha estadia no hotel fui o tormento, não apenas da gatinha que circulava pelo jardim e que se arrepiava cada vez que me via pela frente, mas também de todos os garçons que cruzaram o meu caminho, não por ter decorado a cortina branquinha do restaurante com lindas manchinhas de morango ou por ter quebrado algumas louças (nestes casos a culpa é da mamãe, que vive dando bobeira...), mas porque todas noites eu insistia em jantar no mesmo lugar: sentadinha no degrau de acesso à cozinha (e passagem de bandejas enormes e cheinhas), de onde eu podia observar o panorama e fazer as minhas várias gracinhas para os diversos hóspedes, velhinhos e velhinhas, incluindo o "nonno" e a "nonna".
Também ajudei a tia Milena a trocar a fraldinha do priminho Valentino. Não sei porquê, mas todos caíram na risada quando tentei livrar o pequeno Valentino daquela coisinha que ele exibia entre as perninhas, puxando o intruso com a minha mãozinha...
Mas voltemos ao passeio turístico... Como o tempo não estava bom para nadar no mar, passei bastante pela praia,

Corri e brinquei pelas ruas da cidade,

Posei para fotos,

Arranquei, ooops peguei emprestado, a bicicleta de um amiguinho e acelerei...

Fiz amizade com um lindo cãozinho, morador da praça principal, e que levantava as patinhas pra mim pedindo carinho,

De cima pra baixo, de baixo pra cima: queixinho, boquinha, narizinho e olhinhos. Não sobrou nada: nem sequer um pedacinho do meu rostinho ficou de fora da enorme lambida que recebi do meu amigo cão de rua!

Mas como assim, ainda nem começamos e você já se cansou?

Enfim, me diverti muito. No final da viagem, todos estavam cansados, menos eu. E antes que eu resolvesse explorar cada cantinho do ferry boat, ou saltar de lá de cima, a mamãe achou melhor me colocar em segurança, no carrinho.

E pra passar o tempo durante o trajeto, a mamãe meu deu uma ótima idéia: escrever um dário de bordo. Olha ele aqui:
11 de maio de 2010
9 de maio de 2010
Com uma ponta de tristeza
Eu e a mamãe estamos muito felizes por podermos passar o Dia da Mães juntinhas, mas o nosso pensamento hoje vai para todas as mamães que não terão a mesma sorte, uma delas em particular que, por um erro médico ainda inexplicado, não chegou a abraçar o seu bebezinho. Desculpem-nos a nossa tristeza.
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