
Ainda é cedo pra vestir bikini e exibir minhas lindas curvas pelas praias, mas nem por isso deixo de aproveitar o verão afro-italiano (e de arrancar alguns suspiros por onde passo). Todas as manhãs e fins de tarde saio com a mamãe e com o papai para dar umas voltinhas pelas redondezas e, no percurso, embora muito curto, encontramos várias pessoas sorridentes e dispostas a mais de dois dedos de prosa.
Acontece sempre: depois de admirarem a minha pequenez e elogiarem a minha formosura ("oh, che amore!"), cinco pessoas em cada dez perguntam se sou menino ou menina. Até aqui, a resposta da mamãe chega como um raio: rápida e radiante. “È una bimba”, diz ela orgulhosa (retribuindo em dobro o sorriso que era pra mim...).
Mas para a inevitável pergunta “quanto tempo ha?” (feita por 10 em cada 10 pessoas que encontramos), nem a mamãe nem o papai têm uma resposta na ponta da língua. E apesar de ouvirem a mesma interrogação todos os dias, eles ainda não entraram em acordo sobre o que dizer. Deste modo, tenho uma idade diferente para cada situação, conforme o tempo (e a disposição) que eles têm pra jogarem conversa fora.
Geralmente, tenho “mais de quatro meses, embora não pareça”, porque nasci “muito prematura”, mas apesar disso, estou “indo muito bem e crescendo rapidamente”. Às vezes, porém, eles contam a partir da data em que a cegonha deveria ter aterrisado e aí eu tenho “um mês” e sou “pequenina” porque nasci um “pouco antes do tempo”. Quando estão sem tempo (ou vontade?) pra explicarem porquê eu pareço tão mais jovem do que realmente sou, a mamãe e o papai calculam a data em que saí do hospital. Aí, então, tenho “apenas algumas semanas de vida”.
Mas euzinha, a direta interessada, acho essa conversa toda muito indelicada. Perguntar a idade a uma “signorina”... Francamente!! Até meu amigo hipopótamo sabe que isso não se faz!