Segundo a mamãe, agora que tenho quatro dentinhos pareço mais banguela do que quando não tinha nenhum.

É como diz velha anedota: um copo pode estar, ao mesmo tempo, meio cheio ou meio vazio, dependendo de quem vê.

E vocês o que acham?
Correu tudo bem na viagem para Ferrara. Fui ao hospital Sant'Anna para fazer diversos exames, entre eles a Tac e a ressonância magnética. Não estava previsto, mas por precaução os médicos decidiram me entubar antes da anestesia, por causa da minha prematuridade e dos antigos problemas respiratórios. Acordei da sedação muito brava, querendo arrancar o tubinho do soro e a mamãe ficou logo chateada lembrando do meu passado... Em compensação, não precisei ficar internada nem um diazinho e, como vocês podem ver, pude passear bastante pela cidade com a mamãe, com o papai e com o vovô.


Enfim, embora os resultados da Tac e da ressonância ainda não estejam prontos e os demais exames tenham mostrado que possuo "algum" resíduo auditivo, a minha surdez não pode ser resolvida com o uso de aparelhos. Portanto, os médicos decidiram que devo ser submetida à cirurgia de implante coclear. A operação já está marcada: no dia 1° de setembro vou ser operada pelo dr. Martini, no hospital Sant'Anna, em Ferrara.
Ainda estamos metabolizando a informação. Assim que isso acontecer a gente volta aqui pra explicar porque esta é uma boa notícia.
Hoje vamos para Ferrara de novo. Vou fazer alguns exames, entre eles uma TAC e uma ressonância magnética, para verificar se eu posso ser submetida à operação de implante coclear (no caso em que seja realmente necessário). Ficarei internada por alguns dias porque para fazer estes exames é preciso tomar anestesia. E como sou pequenininha, os médicos preferem manter-me em observação constante.
A mamãe e o papai acham que desta vez os médicos irão decidir se o uso dos aparelhinhos nos ouvidos será suficiente para que eu possa ouvir tudo direitinho - e aprender a falar corretamente -, ou se será preciso fazer o implante de “ouvido biônico”.
Eles ainda estão meio confusos com estas duas possibilidades pois segundo a minha fonoaudióloga aprender a falar não será um percurso natural para mim. Isto significa que em ambos os casos vou precisar de ajuda para aprender a escutar e a falar direitinho.
A mamãe não tem certeza, mas ela acha que a diferença é que com o implante coclear - apesar da inconveniência da cirurgia e de ter uma prótese interna fixa - vou conseguir ouvir tudo, enquanto que com os aparelhinhos vou escutar menos e, portanto, terei mais dificuldades para aprender a falar.
Por enquanto, a única certeza que temos é que, seja qual for o caminho, vai correr tudo bem!
Eu já disse que não queria causar confusão na família...a ala feminina que me desculpe,

mas estas lindas flores o vovô trouxe pra mim!

Fiquei até sem jeito...
Provado e aprovado. O colinho do vovô está sendo uma maravilha, ainda mais nestes dias que o papai está na China - de novo! - e eu ando cheia de dengos e de dentes.
Mas é melhor eu não ficar aqui falando muito que é pra não causar confusão com meus priminhos...
O vovô Dionísio chegou por aqui há alguns dias para me conhecer. Ueba! Um novo voluntário para passear pelas redondezas comigo nos braços! A mamãe disse que quando era pequeninha gostava muito do colinho do vovô. Hummm, sei não...quatro dias pendurada não foram suficientes pra dar razão à mamãe. Assim sendo, me dêem licença que preciso ir experimentar mais um pouquinho...