
Ontem foi dia de consulta geral no hospital Bambino Gesù (com exceção do oculista e do otorrino, que estão marcadas para outra data). Fiz todos os exames de rotina (testes clínicos, análise de sangue e ecografia cerebral); fui visitada pela dra. De Marchis (que me conhece desde quando eu estava no “immaturi” e que faz sempre o meu acompanhamento), por uma fisioterapeuta e uma neurologista. Todos os exames dizem que estou bem e com todos os parâmetros normais para um bebê de 4 meses (que é a minha idade correta).
Todavia, ficou decidido que irei fazer um pouco de fisioterapia para melhorar ainda mais os meus movimentos. Um pouco de ginástica irá me ajudar, por exemplo, a levantar a cabecinha mais rapidamente, a não ter preferências quanto a um lado ou outro, e a agarrar os objetos com maior destreza. A fisioterapeuta nos explicou que, embora eu esteja dentro dos parâmetros, o objetivos é diminuir, ao longo do tempo, a distância entre a minha idade correta e aquela cronológica (sete meses e meio). Disso tudo, o que me interessa é o seguinte: mais gente para brincar comigo e mais ocasiões para eu me divertir!
Mas o melhor mesmo é a mudança na minha dieta! Eu não tinha dito a vocês que há muito tempo resolvemos a questão dos meus “regurgitinhos” acrescentando um pouco de creme de arroz ao meu leitinho (a solução era insonsa até para ser contada!). Mas agora sim as novidades começam a ser saborosas: a partir de hoje, o meu leitinho vai ser enriquecido com biscoitinhos granulados!! O quê? Vocês continuam achando insonso? Então esperem pra ver a próxima mudança no meu cardápio, marcada pra daqui a duas semanas...
Não sei quanto a vocês, mas eu adoro uma massagem com óleo relaxante! A mamãe me faz sempre massagens nas costas, nas perninhas, nos pezinhos e na barriguinha, mas a de hoje foi especial. É que ontem ela voltou empolgada do tratamento indiano que eu e o papai demos a ela de presente.
Ela me contou que a tal da massagem “ayurvedica” é feita com tantos óleos, aromas e especiarias que ela ficou se sentindo um “chicken madras” ou “frango ao curry”, como os que ela servia quando era garçonete do MaGoa em Londres. Mas o “mimo” não terminava aí. O pacote previa ainda a “pindasweda” e a “shirodhara”.
Para encurtar a história, o último tratamento consistia em derramar óleo morno a partir da testa até a cabeça. A mamãe disse que nos primeiros minutos a sensação é fantástica (e que qualquer pessoa que já tenha lavado os cabelos no cabelereiro - ainda não é o meu caso - já experimentou). “Com a diferença de não ter que esticar o pescoço pra trás nem aguentar o quente-frio da água de alguns salões”, explicou a mamãe.
Mas tudo o que é bom dura pouco (a mamãe me ensina coisas preciosas!) e depois de ter ficado ali meia hora com o cabelo sendo encharcado ela começou a achar que talvez fosse melhor ter feito uma escova...
Da minha parte, continuo preferindo a massagem que a mamãe me faz e já decidi que quando eu crescer quero ser garçonete!
Mas o verdadeiro luxo, segundo a mamãe, é ter um papai que sai mais cedo do trabalho para a mamãe ir cuidar dela mesma...
A mamãe hoje faz 36 anos! Este é o segundo aniversário dela que comemoramos juntinhas (no ano passado eu já estava na sua barriga). A minha existência ainda era um segredo entre ela e o papai e foi difícil para a mamãe ficar acordada até o final da festa que reuniu muitos amigos aqui em casa, com direito a feijoada, caipirinha, violão e pandeiro.
Neste ano, a mamãe disse que prefere uma comemoração mais íntima, mas se depender de mim a diversão está garantida: como vocês podem ver, a minha animação vale por uma escola de samba!
Pensando nisso - e para poder garantir a bagunça -, eu e o papai escolhemos um presente de aniversário ideal pra ela – além de uma echarpe cor-de-vinho para que a mamãe fique na moda -, agendamos para amanhã um fim de tarde relaxante num centro de massagens e tratamentos de beleza com técnicas indianas. Afinal, a mamãe mais bonita do mundo tem que estar em perfeita forma pra mim!

Há exatamente um ano, a mamãe e o papai souberam que passaríamos a ser três. Pois é, eu já estava crescendo na barriga da mamãe. Um pouco dela, um pouco do papai, mas nenhum dos dois: uma vida nova, exclusiva, eu. Dois que fazem um, que faz feliz a tantos outros...
A mamãe disse que considerava aquele o dia mais feliz da sua vida, até me vir, todas as manhãs, sorrindo de dentro do meu bercinho, agitandos meus bracinhos e pedindo para começarmos logo mais um dia juntinhas. :o)
Não é que a impressão da mamãe e do papai estivesse errada. É que, por enquanto, eu só ouço a voz que vem do coração...
Amanhã será um dia muito importante pra todos nós, pois iremos saber se eu consigo ouvir ou não. Como eu havia dito, embora os exames anteriores tenham revelado a existência de problemas nos meus dois ouvidinhos, eles não eram capazes de determinar a gravidade do distúrbio. O teste de amanhã, portanto, será mais detalhado.
Para poder fazer o exame é preciso que eu esteja dormindo profundamente . Deste modo, a preparação inclui muitas horas sem dormir e, o que é pior, em jejum. Tudo isso para que eu chegue lá exausta e faminta e “desmaie” assim que a mamãe me der a mamadeira. Se nada disso funcionar e eu acabar despertando durante o teste, os médicos deverão me sedar.
A mamãe e o papai não vêem a hora que eu faça o exame. Eles têm a impressão de que eu consiga ouví-los, mas é preciso ter certeza, pois em caso de distúrbios, quanto antes inteviermos com o uso de aparelhos e sessões de fonoaudilogia melhor será a minha adaptação.
De qualquer modo, seja qual for o resultado, a mamãe me garantiu que nada vai mudar na nossa vida: a minha rua vai continuar sendo ladrilhada com pedrinhas de brilhantes e os olhos dela vão continuar a se encher de lágrimas pela alegria de poder me pegar no colo e cantar pra mim. E isso não tem nada a ver com escutar ou não...
Eu já disse a vocês o quanto é bucólico o outono por aqui e como seres de diferentes espécies estão se preparando para a próxima estação. O que eu ainda não contei é que os dias estão ficando mais curtos a medida que o inverno vem se intrometendo...
É bem verdade que os raios de sol, por chegarem até nós de forma mais oblíqua, conferem ao dia uma luz mais difusa e que tudo fica parecendo ter menos contrastes, inclusive a vida. Em compensação, o dia dá lugar à noite antes da hora certa. E isso tudo me dá um sono danado.
Para piorar, o “horário de verão” terminou há uma semana e, daqui até o final do inverno, vai anoitecer cada vez mais cedo. O resultado é que, segundo a mamãe, eu caio no sono antes da hora devida. Ela disse que não devo mais me adormentar com o pôr-do-sol que é pra eu não acordar mais de madrugada achando que 4h é um bom horário para brincarmos...
Segundo a mamãe, eu, ao contrário dela, vou poder me acostumar desde pequena a ver a noite empurrar o dia sem nenhuma cerimônia e vou até achar natural. Humm... pode até ser, mas até lá acho que quem vai ficar com sono é ela. Porque brincadeira tem hora. E aqui em casa, se começa cedo! :o)